Em Balneário Camboriú (SC), pessoas em situação de rua relatam abordagens agressivas e remoções forçadas de espaços públicos por parte do serviço Abordagem Social da prefeitura. Leonardo, 40 anos, um dos indivíduos ouvidos pela reportagem, descreveu ter sido pressionado a deixar um local onde buscava abrigo do frio e revelou ter sido internado à força em uma comunidade terapêutica no início do ano. A prefeitura, sob gestão do bolsonarista Fabrício Oliveira (PL), é alvo de denúncias do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) que apontam para a prática de internações involuntárias, especialmente durante períodos de alta temporada.

Os servidores da Abordagem Social justificam suas ações citando uma suposta lei municipal que proibiria pessoas de se deitarem nas calçadas e obstruírem o passeio público. No entanto, essa interpretação é contestada pelo vereador Eduardo Zanatta (PT), que afirma que o Código de Normas e Posturas da cidade se refere ao uso do espaço público pelo comércio, e não a indivíduos. Ele ressalta que a lei não proíbe pessoas de estarem em calçadas, a menos que estejam bloqueando a passagem.

Relatos indicam que as abordagens ocorrem frequentemente após denúncias feitas por cidadãos ao número 156, motivadas pela presença de pessoas em situação de rua em áreas consideradas inadequadas, como próximo a hotéis. Os funcionários alegam que sua função é oferecer auxílio, incluindo encaminhamento para abrigos públicos como a Casa de Passagem, ou até mesmo para internação, caso a pessoa aceite. Contudo, a insistência em remover os indivíduos, mesmo quando não há obstrução clara da passagem, levanta questionamentos sobre a natureza coercitiva dessas ações.

A prefeitura de Balneário Camboriú nega veementemente as acusações de violência e internações forçadas. Em nota, a gestão municipal reafirmou seu "compromisso com a proteção e o respeito a todos os cidadãos, independentemente de sua condição socioeconômica". Apesar das negativas oficiais, o MPSC segue investigando as denúncias, buscando esclarecer os procedimentos adotados pela Abordagem Social e a legalidade das internações em comunidades terapêuticas, como a Nova Vida, localizada em Itajaí, que não respondeu aos contatos da reportagem.