A entrada de Carlos e Jair Renan Bolsonaro no cenário político de Santa Catarina para disputar cargos federais tem gerado atritos e testado a força eleitoral de Jair Bolsonaro no estado. Jair Renan, filho "04" e vereador em Balneário Camboriú, ocupa um gabinete com a placa "Vereador Jair Bolsonaro – PL" e busca se firmar com seu primeiro projeto de lei, que visa criar "espaços de acolhimento para pessoas neurodivergentes". Após uma vida entre Rio e Brasília, ele se elegeu em 2024 e agora almeja uma vaga na Câmara Federal, adotando estratégias para lidar com as complexidades do bolsonarismo em solo catarinense.
Carlos Bolsonaro, por sua vez, filho "02" e ex-vereador do Rio de Janeiro, se candidatará ao Senado. Ambos os irmãos enfrentam resistência local devido à falta de raízes profundas no estado. Carlos aposta em uma dobradinha com a deputada Carol de Toni (PL-SC), também pré-candidata ao Senado, para concentrar votos do PL. No entanto, sua candidatura gera preocupação em relação ao senador Esperidião Amin (PP-SC), que apoia Bolsonaro, mas possui um discurso mais voltado para questões estaduais, algo que Carlos demonstra desconhecer.
Jair Renan tem buscado uma aproximação com a prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan (PSD), filha do prefeito de Camboriú, Leonel Pavan. Essa estratégia visa suavizar sua imagem, especialmente após ter sido apelidado de "Tiririca de Balneário Camboriú" e ter cometido gafes em discursos e entrevistas, interpretando mal ditados populares catarinenses e mencionando "sangue italiano" para representar o eleitorado. A postura mais palatável de Jair Renan é vista por interlocutores da família como uma forma de auxiliar a candidatura de Carlos.
Enquanto Jair Renan se estabeleceu no litoral norte, Carlos alugou um apartamento em São José, próximo a Florianópolis, para justificar sua migração eleitoral. Sua agenda em Santa Catarina tem se concentrado em compromissos com a deputada Carol de Toni no Oeste Catarinense, a centenas de quilômetros de São José. Carlos também busca fortalecer laços com o governador Jorginho Mello (PL) e o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo). A disputa interna no PL estadual e a articulação para definir as chapas demonstram os desafios e as negociações políticas que cercam as candidaturas dos filhos de Bolsonaro no estado.

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