A intenção de Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro, de se candidatar ao Senado Federal por Santa Catarina tem provocado uma onda de críticas e gerado um racha significativo nas fileiras do Partido Liberal (PL) e entre lideranças políticas do estado. O prefeito de Camboriú, Elcio Pavan, expressou sua indignação com a movimentação, classificando-a como uma "loucura" e uma imposição externa. Segundo Pavan, trazer um político de outro estado apenas para concorrer, como se Santa Catarina fosse um "balcão de negócios" movido por emoção, é uma desconsideração para com o eleitorado local.

Pavan, político experiente que já foi vice-governador e senador por Santa Catarina, não poupou críticas à polarização política que, em sua visão, divide o país em "extremos" e impede o diálogo construtivo. Ele defendeu a formação de alianças sem viés ideológico, priorizando as necessidades da população. "O Brasil não merece dividir a população por esquerda e direita. Eu quero saber de quem ganha até R$ 5 mil e R$ 7 mil, o que vão dizer quando começarem a 'liberar o imposto de renda', se vão ser direita ou esquerda. É uma ignorância enorme esses extremos", declarou o prefeito, reforçando sua disposição em dialogar com diversas figuras políticas, independentemente de suas orientações.

A pré-candidatura de Carlos Bolsonaro não encontra resistência apenas em Camboriú. O governador catarinense Jorginho Mello (PL), que buscará a reeleição, também tem demonstrado desconforto em ceder duas vagas ao Senado para nomes do próprio partido, o que dificultaria a formação de uma chapa ampla com outras siglas. Mello apoia o atual senador Esperidião Amin (PP-SC), o que deixaria apenas uma vaga para o PL. Além disso, a deputada federal Carol de Toni (PL-SC), que também almeja uma cadeira no Senado, vê seu espaço ameaçado, gerando insatisfação entre seus apoiadores e uma ala do partido.

A insatisfação se estende a outras figuras proeminentes. A deputada estadual Ana Campagnolo (PL), por exemplo, relatou ataques e acusações de "traição" por discordar da imposição da candidatura. Ela explicou a apoiadores que a negociação de Jorginho Mello com o PP foi um acordo partidário e que Carlos Bolsonaro estaria "tirando a vaga" de Carol de Toni. O ex-vereador carioca chegou a rebater Campagnolo publicamente, chamando-a de "mentirosa". A percepção de que Santa Catarina não é um mero trampolim eleitoral foi ecoada pelo prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), que qualificou a movimentação como uma "agressão ao Estado", e por outros vereadores, como Tambozi, que afirmou: "O povo de Santa Catarina não é gado". As tensões reforçam o cenário de disputas internas e a busca por representatividade local frente a candidaturas percebidas como externas.