O prefeito de Camboriú, Pavan, expressou forte descontentamento com a estratégia do Partido Liberal (PL) em Santa Catarina, criticando a indicação de Carlos Bolsonaro para uma candidatura ao Senado pelo estado. Em declarações ao portal Catarina Notícias, Pavan classificou a movimentação como "loucura" e uma afronta à realidade política local, comparando-a a um "balcão de negócios" movido por "emoção", e não por estratégia fundamentada.
Segundo o prefeito, a decisão de trazer um vereador do Rio de Janeiro para disputar uma vaga em Santa Catarina passa a impressão de que o estado está sendo utilizado meramente como uma alternativa eleitoral, desconsiderando as dinâmicas e os quadros políticos regionais. Embora reconheça que a definição das candidaturas é prerrogativa do partido, Pavan lamentou o cenário político atual, que, em sua visão, é dominado por uma polarização excessiva e prejudicial ao debate público.
A transferência de domicílio eleitoral de Carlos Bolsonaro para Santa Catarina, com o objetivo de concorrer ao Senado, foi oficializada em dezembro do ano passado. Carlos, que era vereador na capital fluminense desde 2001, busca agora um novo palco político em território catarinense. Essa articulação tem gerado tensões dentro da direita e do próprio PL, onde setores aliados ao ex-presidente Jair Bolsonaro manifestavam preferência pela candidatura da deputada federal Caroline de Toni (PL) para a segunda vaga.
A disputa pela indicação ao Senado em Santa Catarina também envolve a consideração de um possível apoio a Esperidião Amin (PP). O embate político se acentuou com confrontos públicos entre Caroline de Toni e os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro nas redes sociais, evidenciando as divisões internas no partido. Pavan, que possui um histórico político relevante em Santa Catarina, tendo sido vice-governador e assumido interinamente o governo estadual, é pai da prefeita de Balneário Camboriú, cidade onde Jair Renan Bolsonaro, irmão de Carlos, atua como vereador.

